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Eletroconvulsoterapia é incorporada ao protocolo do HC

Das 7.500 aplicações de eletroconvulsoterapia (ECT) realizadas desde 96 no Serviço de Tratamentos Biológicos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, 85% corresponderam ao tratamento da depressão psicótica grave.

Nas psicoses pós-parto, por exemplo, a ECT é na maioria das vezes a primeira indicação em função de produzir resposta rápida na involução do quadro sintomático. Neste caso a conduta adotada pode ser decisiva para neutralizar o risco de óbtidos para mães e recém-nascidos.

O lançamento do livro Indicação e Prática da Eletroconvulsoterapia, dos psiquiatras Sergio Paulo Rigonatti e Moacyr Alexandre Rosa, com a participação de dezessete especialistas da USP, acontece nesta terça-feira (28), às 10h, no Instituto Central do Hospital das Clínicas. O evento é aberto ao público.

Procedimento que utiliza uma corrente elétrica de baixa amperagem para desencadear uma intensa ativação cerebral com finalidade terapêutica, a ECT surgiu no final da década de 1930, e decorreu da observação de que pacientes com graves doenças mentais melhoravam quando tinham crises convulsivas espontâneas.

Foi o primeiro método comprovadamente eficaz para o tratamento das doenças mentais graves, sendo considerado ainda hoje por alguns psiquiatras como a abordagem que tem melhor custo-risco-benefício em relação a outros tratamentos psiquiátricos.

O procedimento tem duração total de cerca de 25 minutos (a crise dura menos de 1 minuto), é realizado em ambiente de cuidados intensivos, com modernos equipamentos, que permitem monitorizar funções cerebrais e cardiovasculares.

O paciente é submetido à sedação anestésica e relaxamento muscular, o que impede que a atividade cerebral se transforme em convulsão muscular, por equipe especializada de psiquiatras, clínicos gerais, anestesistas e enfermeiros.

A aplicação da técnica segue rigorosas normas éticas e técnicas e está de acordo com os “Princípios para a Proteção de Pessoas Acometidas de Transtorno Mental e para a Melhoria da Assistência à Saúde Mental”, da Organização das Nações Unidas (1991) e do Conselho Federal de Medicina (1994).

De acordo com os autores do livro, uma bibliografia inédita sobre o tema em português, a eletroconvulsoterapia é vista atualmente como procedimento terapêutico relevante, capaz de salvar vidas e reduzir quadros psiquiátricos de grande morbidade, sem relação com a antiga imagem de instrumento de coação e tortura.


 
 

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